Um atalho dentro do jardim de Monet, que leva à casa onde viveu o pintor, em Giverny, na França. Que eu me lembre, o único caminho aparentemente fácil que tive na vida.

Das tolices que já fiz/faço, esperar por algo e criar expectativas foi/será sempre a maior elas. O tema é batido, sei muito bem, mas assim como traição e colesterol não se esgota nunca.

E para provar, cá estou eu elucubrando sobre o tema. Não sei dizer se o que eu registrarei aqui será de valia real para alguém, porque tomar a decisão de não esperar nada de ninguém ou de alguma situação, é uma tarefa digna de monges budistas em nível master, e outros seres que, esperamos, sejam mais elevados que a maioria nós, mortais volúveis.

Quem dera eu pudesse ter chego a essa conclusão sem ter dado tanta cabeçada e murro em ponta de faca. Dói muito.

Primeiro vem o golpe e a gente percebe é frágil, quando achava que estava tudo sob controle. A espera e a ansiedade estavam ali sob a pele, um caminhão de sentimentos adormecidos. E aí a gente capota e promete que aquilo nunca mais acontecerá de novo, que vai ser blasé e não ligar para mais nada. Esqueça. Isso não existe, a menos que você esteja morto. Tá certo, eu exagerei, ninguém morre, apenas cresce, ou ganha um calo a mais. O lance é tentar minimizar o dano colateral.

Com esse blá, blá, blá, eu quero dizer que certa solidão interior pode trazer consigo uma incrível sensação de liberdade e autonomia. Eu explico.

Eu parto do princípio de que em algum momento lidaremos sozinhos com nossas escolhas, mesmo que tenhamos companhia, porque é algo interno e universalmente particular. Então que tal começar já?

Todos nós temos a ilusão de controle da vida e das coisas, por menor que seja, faz parte do ser humano ter essa sensação. Vai ver é algo que em outras vidas ou dimensões já foi uma realidade para os seres humanos. Não sei. É apenas mais uma divagação.

Quando esperamos algo de alguém, um ser humano como nós, e, portanto, falível, o risco de quebrarmos a cara é grande, embora a gente não racionalize nisso, pois não dá. Justamente por sermos humanos. Nós é que insistimos em esperar que algo seja ou aconteça como queremos. Tsc, não funciona assim. E digo mais, aproveita que estou te avisando. Fica a dica.

Claro que não dá para querer que todo mundo enxergue o mundo com nossos olhos, com nossas lentes, com nosso otimismo, ou pessimismo, e com nossas dores e alegrias. Mas ainda assim, a gente espera que o especial venha, e sem precisar pedir. E aí, meus caros, é que a coisa se complica e se torna dolorosa em 98,9% das vezes.

Na minha modesta opinião de quem se aceita velha demais e lúcida demais para esperar, a solução foi escolher não esperar.

A velha tática de não esperar, e se surpreender pelo melhor, tem dado certo em mais de 50% dos cases. Nem sempre consigo ser deslizante o suficiente diante da vida e das expectativas. Mas continuarei tentando e cada vez mais, serei desprendida. Quem sabe seja esse o jeito para viver a tal vida menos ordinária.